AIDS cresce entre jovens santistas

Cidade de Santos registra aumento em novas infecções por HIV em jovens de Santos

A cada dia útil, um novo caso de HIV é diagnosticado em Santos. Essa estimativa tem como base o número de prontuários abertos no ano passado, no Serviço de Atenção Especializada da Rede Municipal de Saúde. No total, 278 pessoas descobriram que estão infectadas pelo vírus em 2015. O número é 28% maior do que o registrado em 2012.
Uma das preocupações é o crescimento de casos na população jovem, na faixa de 25 a 39 anos. Especificamente homens que fazem sexo com homens (HSH). Em Santos, esse aumento vem sendo notado desde 2013.
“A população HSH não é trabalhadora do sexo. São os amigos, colegas, familiares. Muitas vezes estão se descobrindo, têm medo de contar para a família. Quanto menos preconceito, mais a gente dá espaço para essas pessoas falarem. O diálogo é importante”, explica a coordenadora de Doenças Infectocontagiosas, da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Regina Maria Lacerda.
Estratégia
Ainda este ano, a Prefeitura de Santos começa um diagnóstico para identificar lugares de encontro dessa população, como bares, baladas. E oferecer diagnóstico e campanhas educativas.
O levantamento contará com o apoio da Comissão da Diversidade Sexual, ligada à Secretaria Municipal de Defesa da Cidadania. “O que se fala em relação ao HIV é combinar estratégias e uma delas é diagnosticar o mais cedo possível”.
Em Santos, o atendimento acontece no Serviço de Atenção Especializada, na Rua Silva Jardim, 94, na Vila Mathias.
No Brasil
O Ministério da Saúde (MS) considera a epidemia de Aids no Brasil estável, mas em patamar muito alto. Uma das políticas oferecidas, a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) pode ser aplicada em até 72 horas após o comportamento sexual de risco, mesmo naqueles que usaram camisinha na relação.
Nesses casos o antirretroviral é prescrito por 28 dias. Até o fim deste ano a expectativa é de aplicar o protocolo pré-Exposição (PrEP), com o uso do antirretroviral antes do ato sexual. No Brasil, há 780 mil pessoas infectadas pelo HIV; dessas, ao menos 100 mil não estão diagnosticadas.
“Apesar de a epidemia afetar todos os segmentos, algumas populações são mais afetadas. Isso não quer dizer que não vou olhar população geral, mas tenho que ter foco, caso contrário não chego neste número estimado que tem e não sabe”, justifica o coordenador de Prevenção e Articulação Social do Departamento de DST Aids e Hepatites Virais do MS, Gil Casimiro. 

Fonte: Atribuna